Ele criou um novo modelo de franquias e hoje ajuda a comandar rede de cafeterias que faturou R$ 100 milhões
Arquiteto de formação, André Henning transformou a experiência adquirida em bares e restaurantes em uma estratégia de negócios que impulsionou a Go Coffee, uma das redes de cafeterias de crescimento mais acelerado do país
Antes de falar sobre franquias, faturamento ou expansão nacional, André Henning falava sobre arquitetura. Durante anos, projetou bares, restaurantes e espaços comerciais, observando como as pessoas circulavam pelos ambientes, permaneciam neles e consumiam experiências. Foi desse olhar, muito mais voltado ao comportamento humano do que à estética, que nasceu a ideia de criar uma cafeteria diferente daquelas que existiam no mercado brasileiro.
Na época, empreender não fazia parte de um plano de carreira. A Go Coffee surgiu por necessidade. Enquanto conciliava projetos de arquitetura comercial, Henning buscava uma forma de complementar a renda. Antes da primeira loja, ele e o sócio Elói Ferreira produziam cestas de café da manhã. O negócio cresceu, abriu espaço para a primeira cafeteria e deu início a uma trajetória que, anos depois, se transformaria em uma das maiores redes brasileiras do segmento.
“A Go Coffee não nasceu com um grande plano de expansão. Ela surgiu da necessidade de complementar a renda. Começamos vendendo cestas de café da manhã e, quando abrimos a primeira loja, eu preparava cafés pela manhã e trabalhava como arquiteto no restante do dia. Foi essa experiência que me fez perceber que não estávamos construindo apenas uma cafeteria, mas uma experiência que poderia ser replicada e transformada em um negócio escalável”, afirma André Henning.
Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Positivo, com intercâmbio acadêmico na Universidad Marista de Mérida, no México, e especialização em gerenciamento de obras, Henning sempre acreditou que a arquitetura poderia ser uma ferramenta de negócios. Em vez de enxergar um projeto apenas como solução estética, passou a desenhar espaços capazes de influenciar comportamento, fortalecer marcas e aumentar o tempo de permanência dos clientes.
Essa filosofia orientou a criação da primeira Go Coffee, inaugurada em Curitiba, em 2017. Instalado em um espaço de aproximadamente 25 metros quadrados, o negócio apostava no conceito coffee to go, mas também na construção de uma identidade visual marcante, pensada para gerar pertencimento, estimular o compartilhamento nas redes sociais e transformar uma simples parada para o café em uma experiência.
O crescimento aconteceu de forma gradual. Em 2019, quando a empresa operava apenas três unidades, Caio Nardes entrou na sociedade para liderar a expansão da rede. Em vez de comprar um modelo pronto de franquias, os sócios decidiram desenvolver internamente toda a metodologia operacional. Manuais, padrões arquitetônicos, identidade visual, processos, treinamento e sistemas de gestão foram construídos pela própria equipe.
“Desde o início, entendemos que não fazia sentido copiar um modelo pronto. Queríamos construir uma franquia que refletisse a nossa forma de trabalhar. Desenvolvemos tudo dentro de casa porque acreditávamos que o crescimento precisava acontecer sem perder a essência da marca”, explica.
A decisão deu origem a um dos diferenciais da Go Coffee. A rede optou por não cobrar royalties mensais dos franqueados, concentrando sua receita na fabricação e distribuição próprias de insumos. Xaropes, bases para bebidas, doces e outros produtos são produzidos pela empresa, garantindo padronização e maior rentabilidade para os operadores. “Quando o franqueado compra melhor, ele ganha mais. E, quando ele cresce, a rede cresce junto. Sempre acreditamos em uma relação transparente, em que o sucesso precisa ser compartilhado”, afirma.
Outro princípio que acompanha a expansão é a escolha criteriosa dos pontos comerciais. Antes de aprovar qualquer nova unidade, a equipe analisa localização, perfil do consumidor e potencial de mercado. A preocupação, segundo Henning, não é apenas abrir mais lojas, mas garantir que cada operação tenha condições de prosperar. “Se entendemos que um ponto não oferece potencial para o franqueado, preferimos não abrir a unidade. Crescer por crescer nunca foi o nosso objetivo.”
A mesma lógica orienta o desenvolvimento dos produtos. Desde a fundação da empresa, essa área é liderada pelo cofundador Elói Ferreira, responsável pela criação e aperfeiçoamento do portfólio da Go Coffee. Antes de chegar às lojas, cada lançamento passa por uma série de testes em uma unidade-laboratório instalada na Região Metropolitana de Curitiba. Alguns produtos levam meses até serem aprovados. Um exemplo é o cookie da rede, que permaneceu cerca de oito meses em desenvolvimento até alcançar o padrão desejado de sabor, textura, conservação e viabilidade logística. Hoje, toda a cadeia de pesquisa, desenvolvimento, produção e controle de qualidade permanece centralizada em Curitiba e Região Metropolitana, permitindo que bebidas e alimentos mantenham o mesmo padrão em qualquer unidade do país.
Para Henning, esse cuidado acompanha uma mudança maior no comportamento do consumidor. O café deixou de ser apenas um produto para se tornar um momento de convivência, trabalho e conexão — conceito associado à chamada quarta onda do café. “Hoje o café conecta pessoas. Ele faz parte de encontros, conversas e momentos de qualidade. As cafeterias deixaram de ser apenas locais de consumo para se tornarem espaços de convivência. É isso que buscamos construir em cada projeto.” Esse pensamento também explica a evolução da Go Coffee. Atualmente, a marca opera formatos que vão de quiosques compactos a lojas com aproximadamente 200 metros quadrados, incluindo lounges, salas de reunião e espaços voltados às famílias. Em 2025, a empresa alcançou faturamento de R$ 100 milhões e aproximadamente 550 unidades entre operações em funcionamento e contratos comercializados.
Paralelamente ao crescimento da rede, Henning consolidou sua trajetória como arquiteto especializado em gastronomia, entretenimento e varejo. À frente do AH Studio, acumula cerca de 600 projetos executados, ministra aulas de pós-graduação sobre arquitetura de negócios e participa de iniciativas voltadas ao empreendedorismo. Ao longo da carreira, passou a defender um conceito que resume sua forma de trabalhar: a arquitetura de negócios. Para ele, um projeto precisa ir além da estética e contribuir para fortalecer marcas, melhorar operações e gerar resultados. É essa visão que continua orientando sua atuação como arquiteto, empreendedor e estrategista de crescimento.


